Tudo dói. As pernas de vagar, os olhos de chorar, a boca de negar, o coração de amar... Queria ter explicação pra tudo isso. Queria que eu tivesse voltado e percebido que tudo era real, que aquilo tudo existia. Mas não, na primeira oportunidade eu caí. Olhei pra trás e percebi que eu aprendi a me doar muito mais do que havia imaginado. E pra quê? Não há recompensa para os bons. Aquelas palavras nunca serviram de absolutamente nada. Aquele anel não passava de uma história pra criança dormir e sonhar com anjos. Eu não pensei que amasse tanto e principalmente que eu fosse tão boba. Eu me iludi. Não existe amor perfeito, mas existe amor leal. Queria chorar o dia inteiro, mas tenho que me contentar com o banheiro do trabalho. Nada posso fazer, ele não merece. O que fazer se eu sei disso tudo, mas ainda sofro? Não quero chorar, mas a vontade não passa. Eu sabia que não era o melhor pra minha vida, mas pensei que fosse o melhor para o meu coração. Me enganei.










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Nouvelle Zélande

Acho perigosa a forma como as pessoas acreditam na eternidade. Não sei se consigo me acostumar com o infinito. Acho que tudo tem seu tempo, sua hora. Quer dizer, pensando bem, tudo é eterno, pois tudo o que acontece com você fica gravado pra sempre na sua memória, mesmo que você não se recorde mais, porém é apenas uma memória. Mas eternamente as coisas devem ser como elas são? Tudo é mudança, mesmo que não seja de casa, você sempre precisará mudar de roupa, como se isso mudasse você.
Gostar de alguém é complexo demais. Como depositar em alguém todas as suas expectativas futuras? Já gostei tantas vezes, da mesma pessoa, de várias pessoas e nenhuma eternidade me convence mais. Por mais que tudo indique que esta é a hora de ficar quieta, simplesmente só seguir um caminho, algo me pára, não consigo continuar. Tenho um tumulto de sentimentos atravessados em meu peito, em minha garganta e tudo o que eu queria agora era saber exatamente o que esperar do meu futuro. Mas já faz tanto tempo desde o meu último planejamento, eu nem sei mais planejar o futuro e isso me perturba pq não vejo um futuro, apenas um ponto de interrogação e medo. Medo de me envergonhar com a minha própria burrice e me enforcar com a minha própria cegueira. Aí me vem a vontade louca de largar o barco agora, enquanto eu imagino que a onda poderá levá-lo se eu continuar dentro dele, e não quero esperar que ele vire, não quero me afogar. Tenho medo e isso é tudo o que me faz querer desistir. Sei que consigo nadar sozinha, mas tenho medo de não querer mais sair do barco e afundar em um novo oceano. Eu sei que consigo superar, mas pra que fazer isso de novo? Por que eu deveria me arriscar novamente? Aiai.. essa insegurança idiota que não passa e essa vontade louca de fugir...Acho que estou naquele momento onde eu pulo do barco ou relaxo e espero que o mar não o afunde.